Durante alguns anos, o discurso dominante no varejo foi quase unânime: o futuro era digital, automatizado e sem fricção. A loja física parecia condenada a se tornar apenas um ponto logístico.
A NRF 2026, em Nova York, consolidou um movimento diferente. O que se viu nas visitas técnicas e nos painéis com executivos globais foi uma revalorização clara da loja física como espaço de relacionamento.
Não é um retorno nostálgico, é estratégico.
Segundo dados da McKinsey publicados em 2024 sobre comportamento omnicanal, mais de 70% das jornadas de compra ainda envolvem a loja física em algum momento. A Deloitte, em seu relatório “2025 Global Retail Outlook”, reforça que consumidores valorizam cada vez mais experiências híbridas, nas quais o ponto físico funciona como extensão da marca, não apenas como estoque.
Além disso, o que a NRF 2026 evidenciou é que a loja mais relevante não é a mais tecnológica, é a que combina três pilares:
- Curadoria que facilita a escolha.
- Serviço que resolve.
- Ambiente que convida à permanência.
Essa tríade muda a lógica do supermercado tradicional.
A loja passa a ser participativa, com espaço para testar, experimentar e personalizar.
Passa a ser consultiva, com o vendedor atuando como orientador e não apenas como repositor.
E passa a ser integrada, permitindo comprar, retirar, trocar, resolver e até assinar serviços no mesmo ambiente.
Isso não é apenas design de loja, é estratégia de relacionamento.
Outro ponto reforçado nas visitas da NRF foi o uso estruturado de retail media dentro da loja física. Não como excesso de estímulos, mas como método.
Quando organizada por zonas, a loja passa a cumprir papéis claros:
- Entrada para orientar e gerar atenção.
- Corredores para descoberta guiada.
- Categorias âncora para contar histórias e elevar conversão.
- Checkout para incremento sem estresse.
Esse desenho respeita o comportamento humano. Ele entende que a jornada não é linear. É emocional.
Relatórios da Kantar indicam que o tempo de permanência na loja está diretamente associado ao aumento de ticket médio e à percepção de valor. Mas o desejo de permanência não nasce da tecnologia. Nasce da sensação de conforto, da ausência de cansaço e da presença de estímulo significativo.
É aqui que surge uma provocação inevitável para o varejo alimentar brasileiro: Estamos projetando supermercados para transações ou para relações?
A loja física voltou com força, porque o consumidor continua sendo humano. Ele busca contexto, orientação e pertencimento.
Tecnologia é infraestrutura, experiência é percepção e relacionamento é decisão estratégica.
A NRF 2026 não trouxe apenas tendências. Trouxe um lembrete: o varejo que prospera é aquele que entende comportamento antes de investir em ferramenta.
E talvez essa seja a discussão mais importante da próxima década no supermercado:
Qual tipo de experiência estamos dispostos a construir?
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Fontes:
- McKinsey comenta como a loja física continua relevante quando integrada à experiência omnichannel
🔗 Reimagining the role of retail in omnichannel – McKinsey & Company
https://www.mckinsey.com/industries/retail/our-insights/reimagining-the-role-of-physical-stores-in-an-omnichannel-distribution-network - 🔗 2026 Retail Industry Global Outlook – Deloitte Insights
https://www.deloitte.com/us/en/insights/industry/retail-distribution/retail-distribution-industry-outlook.html - 🔗 NRF | 10 trends and predictions for retail in 2026 – NRF oficial
https://nrf.com/blog/10-trends-and-predictions-for-retail-in-2026 - 🔗 5 tendências da NRF para 2026 – Retail Media News
https://www.retailmedianews.com.br/colunas/5-tendencias-da-nrf-para-2026/



